Mais um ano, participamos do Blockchain.Rio. Nessa edição, nosso pesquisador, Paulo Henrique Alves, conduziu a palestra “Blockchain não se implanta, se articula: P&D aplicado levando a tecnologia da fronteira científica ao uso corporativo”.
Paulo Henrique destacou que a adoção de blockchain em ambientes corporativos depende não apenas de aspectos tecnológicos, mas da articulação entre diferentes atores. A partir do conceito de hélice quádrupla, ressaltou a importância da participação conjunta de universidade, indústria, governo e sociedade para avançar da pesquisa e experimentação para aplicações efetivas.
Nesse modelo, a indústria traz problemas concretos, restrições operacionais e a necessidade de resultados aplicáveis. Já o governo e os reguladores contribuem com regras, requisitos e previsibilidade para que as soluções possam operar de forma adequada.
Desde 2017, o Instituto desenvolve projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, que utilizam tecnologia blockchain, junto a grandes organizações, especialmente nos setores de óleo e gás e financeiro.

Levando a tecnologia do campo científico para o corporativo
Muitas iniciativas de blockchain nas organizações não avançam por falta de arranjo institucional: a tecnologia serve para registrar aquilo que várias empresas precisam compartilhar, mas a decisão de compartilhar é jurídica, regulatória e política antes de ser técnica.
É nesse terreno que o Instituto construiu sua competência realizando pesquisa aplicada em cooperação com o parceiro industrial, do mapeamento do problema à transferência de tecnologia, com desenvolvimento incremental validado a cada ciclo e avanço por níveis de maturidade tecnológica até o uso corporativo.
Paulo Henrique apresentou pesquisas desenvolvidas pelo Ecoa em parceria com organizações dos setores financeiro e de óleo e gás, destacando aplicações que tratam de governança sobre as decisões, automação de processos, rastreabilidade de evidências e tokenização de ativos.

Parcerias para ampliar as conexões
Durante a conversa, a participação da PUC-Rio na Rede Blockchain Brasil também foi destaque. Criada a partir de um acordo de cooperação entre o BNDES e o TCU esse é um exemplo da articulação entre academia, poder público e demais organizações.
O Instituto Ecoa contribui levando pesquisa, método e novas aplicações para exploração desse ecossistema, além de atuar em temas como proteção de dados pessoais, reforçando o papel da universidade como ponte entre a pesquisa e a construção de infraestruturas capazes de operar em contextos reais.

Pesquisa científica de ponta para a construção de soluções
A discussão também foi apoiada pelo estudo “Success and Failure in Blockchain-Based Interorganizational Ecosystems: A Governance Perspective”, que analisou projetos interorganizacionais de blockchain em diferentes setores e mostrou que muitos dos fatores que determinam seu sucesso ou fracasso não estão apenas na tecnologia, mas na governança operação.
O trabalho identifica desafios recorrentes relacionados à coordenação entre organizações, à distribuição de confiança e controle e ao alinhamento de incentivos entre o que gera valor para a rede e o que beneficia cada participante. Essas questões são fundamentais para uma iniciatiava avançar da experimentação para o uso corporativo.

Blockchain.Rio
Considerado o principal evento de blockchain da América Latina, o Blockchain.Rio funciona como um ecossistema que conecta pessoas envolvidas com a tecnologia. Além do networking, o encontro também traz debates que irão traçar os rumos da tecnologia, das criptomoedas, da tokenização e das finanças digitais.
A iniciativa é realizada no ExpoRio, localizado na Cidade Nova, Rio de Janeiro, onde os participantes encontram palestras com os principais líderes da indústria, feiras de negócios, workshops e oportunidades de conexão entre startups e investidores.